Servidores na rua contra meritocracia e a reforma da Previdência
Os servidores estaduais colocaram o bloco na rua nesta sexta-feira (3/12).
A luta por melhores salários e condições de trabalho e contra a meritocracia no serviço público e a reforma da Previdência foram as principais questões apontadas na Plenária do Fórum dos Servidores Estaduais do RS e na 15ª Marcha dos Sem.
![]() |
Para conseguir avançar nas conquistas e unificar ainda mais a luta dos servidores, o centro dos debates de plenária foi a transformação do FSPE/RS em Federação. O encontro, no salão da igreja Pompéia, reuniu 600 servidores.
O Fórum foi constituído numa conjuntura adversa para os servidores, em que o governo Yeda investiu sucessivamente contra importantes conquistas do funcionalismo. Para se contrapor às investidas, a estratégia de enfrentamento foi pensada conjuntamente pelas entidades que compõem o Fórum. Foi um período em que as entidades avançaram na unidade.
![]() |
Agora, na avaliação das entidades, o momento é de dar um salto na organização para que se possa lutar contra possíveis reformas na previdência e contra a implementação da meritocracia no serviço público. A unidade será fundamental para garantir novas conquistas, entre elas, a data-base e aumentos reais de salários. Portanto, a criação de uma Federação que realmente represente os servidores públicos vai completar um ciclo iniciado com o Fórum.
A Plenária encaminhou que o próximo passo será a discussão da plataforma de criação da Federação. Cada entidade definirá em que instância organizativa fará o debate. Serão realizadas plenárias no interior para discutir com as categorias, seguido de um encontro estadual para definir a fundação da Federação dos Servidores Públicos Estaduais do RS.
Servidores participam da 15ª Marcha dos Sem
Após a Plenária, os servidores seguiram em caminhada até o Paço Municipal, onde encontraram os demais trabalhadores do campo e da cidade que participaram da 15ª Marcha dos Sem.
Em frente à Prefeitura, moradores das comunidades das regiões Cruzeiro, Cristal, Morro Santa Teresa, Humaitá e das Ilhas do delta do Jacuí protestavam contra a remoção de famílias em função das obras da Copa do Mundo. O poder Executivo tem encaminhado para a Câmara de Vereadores uma série de projetos que flexibilizam o Plano Diretor de Porto Alegre para atender interesses privados que vêem na Copa do Mundo uma chance de aumentar seus lucros.
Um exemplo da ganância dos poderosos é o Projeto de Lei 854/10, encaminhado pelo Executivo Municipal e aprovado por unanimidade pela Câmara de Vereadores, que altera a Lei complementar anterior 636/2010 que determinava que 80% das famílias removidas fossem reassentadas na mesma microrregião. O atual projeto modifica essa lei, reduzindo o percentual a zero.
Por isso, as comunidades organizadas no Comitê Popular da Copa em Porto Alegre e o Movimento dos Trabalhadores Desempregados (MTD) querem pressionar os poderes Executivo e Legistativo da capital para que essa situação seja modificada. As famílias não se colocam contra a Copa do Mundo, mas sim, contra os projetos que utilizam como pretexto o evento esportivo para a remoção das famílias dos seus espaços de convivência e assim fortalecer a especulação imobiliária e o grande capital.
Manifestantes lotaram as ruas do centro
Em seguida, a tradicional Esquina Democrática foi o palco das manifestações dos sindicalistas. A presidente do Cpers/Sindicato, Rejane Oliveira, falou em nome dos servidores públicos: “Há 15 anos essa Marcha tem cumprido um importante papel na sociedade, de unir trabalhadores do campo e da cidade, de entidades públicas e privadas e unifica os movimentos sociais para lutar e defender os nossos direitos.”
Para o representante da Conlutas, Erico Corrêa, mais uma vez os trabalhadores dizem que não vão aceitar o neoliberalismo. “Nós não vamos aceitar a desculpa da crise econômica de 2008, nós não vamos pagar essa conta”, declarou.
A necessidade da Reforma Agrária e de maiores investimentos na agricultura familiar foi defendida pelo representante da Via Campesina, Adalberto Martins (Pardal). “Estima-se que hoje, cada brasileiro consome cerca de 6 litros de venenos, devido ao uso de agrotóxicos no cultivo dos alimentos e ninguém sabe quais serão as consequências disso para a população”, salientou.
Pedindo o apoio da população, a secretária pela Igualdade Racial da CUT-RS, Angélica Nascimento, disse que apenas a união garantirá maiores conquistas para a classe trabalhadora: “Só com luta iremos avançar e a CUT sempre vai estar ao lado dos trabalhadores.”
Encerramento no Largo Zumbi lembrou a luta pela consciência negra
Depois de percorrerem a Avenida Borges de Medeiros, os manifestantes encerraram a Marcha com um ato no Largo Zumbi dos Palmares, devido às atividades pela consciência negra, que acontecem no mês de novembro, em todo o país.
Para o presidente da CUT-RS, há 15 anos a Marcha mostra a união dos movimentos sociais e ainda vive um momento de forte ampliação. “É na rua, é com mobilização que vamos garantir nossos direitos e ter um Estado que atue como indutor do desenvolvimento.”
“Desde 1996, a Marcha denuncia a corrupção, reivindica os direitos dos trabalhadores e propõe políticas públicas que possibilitam o avanço do desenvolvimento. Este ano, escolhemos encerrar aqui no Largo do Zumbi, porque é uma maneira de dizer não ao racismo, não a criminalização, não ao preconceito e não ao retrocesso”, declarou Woyciechowski, encerrando a 15ª Marcha do Sem.
Os eixos da atividade deste ano foram: recuperação do piso regional e valorização do salário mínimo nacional, implantação da Lei do piso nacional dos educadores e para segurança, reforma agrária e urbana, aposentadoria, redução da jornada sem redução de salário, fim da criminalização dos movimentos sociais, contra todo o tipo de criminalização, não à meritocracia dos servidores públicos, pelo limite da propriedade da terra, não à precarização do trabalho, não à reforma da Previdência e defesa do SUS público e gratuito.
:: pescado no http://www.sindsepers.org.br/?area=1&item=5964


Sem comentários:
Enviar um comentário